Algumas notas sobre as peculiariedades da língua japonesa. Penso muitas vezes que aprender japonês me levou a ver o mundo com outros olhos. Quero partilhar aqui um pouco da minha experiência com o meu amado nihongo.

28
Jan 10

Imaginem uma festa onde chamamos, por exemplo, pelo João.  Se estiverem vários "Joãos" na sala é natural que alguns deles tenham dúvidas se foram ou não chamados e façam aquela interrogativa muda apontando para o seu peito como quem pergunta: "Eu?".  

 

Em idênticas circunstâncias um japonês apontará para o seu próprio nariz (por vezes tocam mesmo com o indicador na ponta do nariz) e não para o seu peito, o que não pude deixar  de achar estranhíssimo das primeiras vezes que testemunhei tal linguagem gestual.

 

Um belo dia, ao estudar a etimologia do carcater

 

(JI, SHI, mizukara)

 

que siginifica "si próprio [mesmo]; self" fez-se luz. Escrevia o autor que este caracter representa o nariz, a parte mais protuberante e talvez característica do rosto que assim representa o indivíduo.  Para entender como este caracter representa um nariz é necessário ver as suas formas mais antigas que infelizmente não encontro nas fontes correntes.


De qualquer modo, entendi então finalmente porque é que, em linguagem corporal,  um japonês aponta para o seu nariz quando se refere a si próprio.  Está a apontar para a parte da sua anatomia que representa a sua pessoa.


O nariz volumoso e protuberante do caucasiano é extremamente apreciada pelos japoneses que tecem rasgados elogios dizendo "hana ga takai" (o nariz é protuberante).  Infelizmente os alvos destas manifestações de apreço frequentemente não as apreciam pois ora sentem que lhes estão achamar "narigudos" ou, ainda pior, orgulhosos pois confundem o elogio com a expressão homófona "hana ga takai" (lit. nariz alto) que significa "nariz empinado; orgulhoso; ufano".


Enfim, uma confusão de narizes :-)


publicado por Jaime Lebre às 00:34

24
Jan 10

A palavra  "hara" (ventre, abdómen, entranhas, estômago, barriga) aparece em várias expressões idiomáticas que nos poderão parecer estranhas ou difíceis de interpretar se não tivermos presente que "hara" também quer dizer "coração; mente".

 

Um dia o meu mestre de kendo (esgrima tradicional japonesa) dizia, batendo fortemente com a palma da mão no ventre, que o kendo faz-se com o "kokoro" (corção).  Este gesto surpreendeu-me pois para mim o coração era algo que estava localizado no peito e não no ventre.  Ninguém leva a mão à barriga quando diz "é um homem de muito bom coração" :-)

 

Mas de facto, na língua japonesa "kokoro" (coração) está frequentemente associada a "coração" quando se fala de sentimentos e a palavra "hara" (ventre) quando se fala de ânimo, coragem. Vejamos algumas expressões idiomáticas que reflectem isto mesmo:

 

CÓLERA - Primeiramente este "hara" tanto se levanta como se senta.  Quando se levanta temos o caldo entornado mas se se sentar então estamos numa boa :-)

 

腹が立つ "Hara ga tatsu" (lit. o hara levanta-se) e significa ficar encolerizado.  そう言われて腹がたったよ。(sou iwarete hara ga tatta yo.) quererá dizer algo como "Quando mo disseram subiu-me o sangue à cabeça." Também se usa "hara" com a forma transitiva "tateru" do verbo "tatsu" como por exemplo: 僕に腹を立てないでよ (Boku ni hara wo tatenaide yo.) "Não te zangues comigo".

 

腹が据わる "Hara ga suwaru" (lit. o hara senta-se) significa exactamente o contrário: ficar calmo, resoluto, indiferente ao destino.  Também se usa 腹を据える "hara wo sueru" com "suero", a forma transitiva do verbo "suwaru". 腹が据わりかねる "Hara ga suwarikaneru" (lit. o hara não consegue sentar-se) é uma variante deste idioma que exprime indignação, como por exemplo em あんな事を見て腹が据わりかねるよ "anna koto wo mite hara ga suwarikaneru yo." ao ver uma coisa daquelas é impossível ficar indiferente [não ficar zangado].

 

MÁ ÍNDOLE - 腹が黒い "hara ga kuroi" ou 腹黒い "haraguroi" significam literalmente que "o hara é preto" e referem (uma pessoa de) má índole.

 

GENEROSIDADE - Um "ventre gordo" está associado a generosidade.  Tanto 腹が太い "hara ga futoi" como 太っ腹 "futoppara" significam "generoso; magnânimo".

 

RESOLUÇÃO - Tanto 腹を固める "hara wo katemeru" (lit. consolidar o hara) como 腹を決める "hara wo kimeru" (lit. resolver o hara) significam "tomar uma resolução; decidir-se".

 

INTENÇÃO - 腹を探る "hara wo saguro" (lit. pesquisar o hara) significa inquirir as verdadeiras intenções de outra pessoa. Também 腹を読む "hara wo yomu" (lit. ler o hara) sgnifica o que nós dizemos "ler a intenção (de alguém)".

 

SINCERIDADE - 腹を割る "hara wo waru" (lit. rasgar o hara) refere sinceridade. 腹を割って話す "hara wo watte hanasu" (lit. falar de ventre rasgado) será o que dizemos "falar com o coração na boca".

 

Mas lá como cá, os japoneses também se agarram à barriga quando riem a bandeiras despregadas.  腹を抱える "Hara wo kakaeru" (lit. abraçar-se ao hara) 腹を捩る "hara wo yojiru" (lit. espremer o hara) significam ambos dar grandes gargalhadas.

 

Mas também quando se trata de encher a barriga também é o "hara" que é chamado à berlinda".  腹が膨れる "Hara ga fukureru" (lit. a barriga ficar inchada) significa ficar cheiinho que nem um odre.  Afinal, por muito "coração" que seja ou não o "hara" não deixa de ser barriga ;-)

 

publicado por Jaime Lebre às 23:24

23
Jan 10

Um pouco da velha sabedoria popular poderá ser ponto de partida para alguma reflexão:


Talvez o primeiro provérbio japonês que o estrangeiro que viva no Japão deverá pôr em práctica será:


 住まば都

Sumaba miyako

 

Encontramos bastante japonês arcaico nos provérbios antigos e, no japonês actual este dir-se-ia "sumeba miyako".  Uma tradução muito literal deste provérbio seria "se lá viveres é a tua capital" ou seja, algo como o nosso "na terra onde fores ter, faz como vires fazer".  

 

Mas talvez o primeiro que ouça seja

 

出る杭は打たれる

Deru kui wa utareru

 

que nos diz que "o prego que sobressai é o que leva a martelada".  É tão frequente ouvir este prvérbio, dita por pessoas de idade ou jovens,  por homens e mulheres que, mesmo não tendo qualquer erudição em psicologia me atrevo a dizer que a ideia que transmite fará certamente parte do inconsciente colectivo japonês.  A língua japonesa recheada de construções gramaticais onde o sujeito pode desaparecer sem causar dubiedade, prenhe de formas passivas sem agente deixa-nos imaginar que o japonês se sentirá de facto inseguro quando de alguma forma sobressai.  Low profile... sempre low profile :-(

 

Mas um dos que mais espanto me causou foi

 

石の上にも三年

Ishi no ue ni mo sannen

 

um esplêndido exemplo da perseverança e espírito de sacrifício que tão frequentemente testemunhei naquele país. Traduzido literalmente significará algo como "mesmo sobre uma pedra, três anos" o que quer dizer que se estivermos sentados sobre uma pedra, ao fim de três anos esta acabará por aquecer.  E esta.... :-)

 

Mas lá como cá "junta-te aos bons e serás como eles".  Só que por lá diz-se


朱に交われば赤くなる

Shu ni majiwareba akaku naru


ou, muito livremente "se mexeres no vermelho, encarnado ficas".


E se os japoneses dizem 

 

十人十色

juunin toiro

 

"dez pessoas dez cores" acreditarão como nós que "cada cabeça sua sentença" mas - engraçado - eles levam a ideia um bocadinho mais longe:


船頭おおくして船山へ上る

sendou ooku shite funa yama e noboru

 

"Muitas cabeças a chefiar o barco levam-no montanha acima" :-) e nós, Portugal inteirinho, já vamos a caminhos dos pirinéus.... ou será dos Alpes !!!! :-S


publicado por Jaime Lebre às 00:18

21
Jan 10

 Não conheço em japonês tantas formas de dizer "tu" (melhor dizendo, o pronome pessoal 2ª pessoa do singular) como "eu" mas elas não são assim tão poucas.  Ocorrem-me as de uso mais frequente, a começar por "anata", a de utilização mais comum e segura.  Recorremos a "anata" para nos dirigimos a outra pessoa quando temos com ela um grau de proximidade mínimo.  Tanto quer dizer "tu" como "você [o/a senhor(a)" como nas frases "Anata mo iku?" (tu também vais) ou "Anata mo ikimasu ka?" onde a utilização da forma "-masu" do verbo iku (ir) sugere alguma formalidade e o "você" que advém desta.

 

Quando o grau de formalidade é um pouco mais elevado evita-se o uso de um pronome pessoal e dá-se normalmente preferência ao uso do nome do interlocutor. "Suzuki san mo ikimasu ka?" seria pois mais respeitoso.  Lá como cá, "você é estrebaria" :-)

 

Se o nome do interlocutor não nos ocorrer podemos sempre recorrer ao uso da linguagem honorífica pois a escolha de uma forma honorífica de um verbo (keigo) indica de per si que o sujeito é o interlocutor que pode pois ser omitido.  Assim, o uso do da forma keigo "irassharu" do verbo "iku" permitiria dizer apenas "Irasshaimasu ka? dispensando pois o uso do nome ou de um pronome pessoal cuja escolha poderá ser sempre melindrosa.


Se nos dirigirmos a um desconhecido e a circunstância recomendar a não utilização de "anata", o pronome "sochira" é uma excelente escolha, bastante formal sem exageros honoríficos. "Sochira mo irasshaimasu ka." tem um grau muito equilibrado de cortesia e formalidade, desde que não implique esquecimento do nome do interlocutor.  "Sochira" é claramente um "o/a senhor(a)" sem qualquer cheirinho a "você".

 

A utilização da forma "o'takusama", extremamente formal e de utilização muito rara, deve ser feita com cuidado pois um exagero de formalidade pode ser interpretado como 慇懃無礼 "inginburei", um grau honorífico excessivo que revela mais distância entre nós e o nosso interlocutor que respeito por este, e é portanto insultuoso.  Cuidado pois com o extremamente, quiçá exageradamente polido "O'takusama mo irasshaimasu ka?". 

 

Quando o ambiente é mais relaxado, a palavra "kimi" é usda por homens e significa claramente "tu".  As mulheres não usam esta palavra e mesmo em ambiente informal dirão "anata" ou, se a proximidade com o interlocutor o permitir, "anta" que pode mesmo revelar intimidade.  Tímidas declarações de amor são por vezes apenas "Anta daisuki" (adoro-te) e aqui o uso de "anata" apontaria mais para "gostar muito" que para "amar".

 

"Kimi" é próximo, por vezes íntimo, e carinhoso.  Já "o'mae", que é usado apenas entre familiares ou amigos próximos, não contém em si o carinho de "kimi". "O'mae nani shiteru n'da?" (Mas que estás tu a fazer?) é bem mais duro que "Kimi nani wo shiteru no?" (Que estás a fazer?).

 

E por último, o uso de "temee", forma "rasca" do antigo "temae", é já claramente um insulto, daqueles que envolvem a virtude de mães e esposas :-) "Temee, wakaran kai" traduz-se literalmente por "tu não percebes?" mas soa aos ouvidos japoneses a algo muito próximo do que em português se diria "Não estás a perceber, cab...?".

 

Ao longo dos meus anos no Japão só uma vez usei "temee" e mesmo assim em resposta a impropérios de natureza semelhante :-) Um "cavalheiro", daqueles a quem faltam umas tantas falanges, sai de uma "banheira" americana branca de vidros fumados e perguntou-me num japonês de nível muito baixo porque não ia eu para casa (embora do Japão). Não resisti e lá tive de lhe responder "Temee ni kankee nee darrou.", algo como "hás-de ter muito a ver com isso meu cab.... da mer...!".  Sorte minha ir de bicicleta ;-) e... ah, ele ficou tão espantado com o (baixo) nível da minha linguagem que ficou por momentos sem reacção, dando-me tempo de montar e...  dar ao pedal?! :-)

 

Mas vejamos esta frase "hás-de ter muito a ver com isso", algumas formas como pode ser dita:

  • Temee ni kankee nee darrou.                                    ordinária
  • O'mae ni kankei nai darou.                                       dura
  • Kimi ni kankei nai deshou.                                         amigável
  • Anata ni kankei ga arimasen [nai deshou].                  polida
  • Sochira ni kankei ga gozaimasen.                               formal
  • O'takusama ni kankei ga gozaimasen [arumai (desu)].  inginburei

e notem como ligeiras variações nas outras palavras acompanham a escolha do pronome pessoal ;-)


Circunstancial....   sempre muito circunstancial o nosso nihongo :-)

 

 

 

publicado por Jaime Lebre às 01:00

20
Jan 10

 Não, não estou megalómano não. Esta pergunta nasce de um episódio que ocorreu em conversa com uma senhora japonesa de grande educação. Como frequentemente acontece em conversas de circunstância falamos sobre o tempo e quando referi que estava um belo dia a senhora respondeu-me お蔭様で “o’kagesama de”. Fiquei tão surpreso, tão chocado que levei uns segundos a recuperar a fala.

 

O que é este “o’kagesama de”.? Na verdade uma expressão muito usada quando alguém nos pergunta como vamos, como temos andado, se estamos bem de saúde, etc. Na escola ensinaram-nos que “o’kagesama de” significa “graças a si” e reflecte o modo confuncionista de ver o mundo, segundo o qual a vida de cada um de nós está interligada com a vida de cada um dos que nos rodeiam. Portanto, se eu estou bem isso deve-se (também) ao meu interlocutor que, quer queira quer não, de alguma maneira terá contribuído para a minha situação actual.

  

Assim, em resposta a “Então Sr. Ikeda, como tem passado” ouviremos algo como “Graças a si, estamos todos bem.” Nós, os estudantes de japonês achávamos graça a esta situação e bricávamos muito com ela pois para nós que dizemos “graças a Deus” “o’kagesama de” punha-nos a um nível mesmo muito elevado. Não era raro brincar um pouco com uma jovem mais engraçada respondendo-lhe “Ah…. lamento muito mas não tenho nada a ver com isso.” Só as mais avisadas percebiam rapidamente o que queríamos dizer e as mais recatadas escusavam-se na primeira oportunidade.

    

Poderão então imaginar a minha estupfação quando em resposta ao meu comentário sobre o tempo a tal senhora me responde “o’kagesama de, está um dia maravilhoso.” Eu já tinha conseguido digerir a história que todos influenciamos todos mas a ideia de um dia esplendoroso graças á minha pessoa ultrapassava todos os limites da minha imaginação.

    

Pois é… concluí que embora “o’kagesama de” queira dizer graças a si, os japoneses usam-no como nós usamos “graças a Deus”. E lá consegui recuperar a fala.. e lá segui em frente….

publicado por Jaime Lebre às 10:53

Falei que quando usamos em japonês linguagem honorífica esta exprime respeito ou humildade do círculo interior em relação ao círculo exterior e que a regra de base da linguagem honorífica é que: referimo-nos com respeito quando falamos sobre o círculo exterior e com humildade quando falamos sobre o círculo interior.

 

Mas as coisas complicam-se se tivermos três círculos em questão. Imaginemos que me encontro numa recepção com dois presidentes de duas empresas diferentes.  Em conversa dirigir-me-ei a qualquer deles usando sonkeigo e kensongo conforme o sujeito da frase.  Se contudo tiver encontrado apenas um deles e me estiver a dirigir a este sobre o outro , a utilização de sonkeigo em relação ao presidente ausente pode implicar um insulto ao meu interlocutor.

 

Podem surgir situações muito complexas de grande melindre.  Em reunião de negócios com o presidente de outra companhia falarei sobre o presidente da minha usando kensongo pois estou a falar sobre o círuclo interior.  Mas se o meu presidente estiver presente isto poderá ser uma  falta de cortesia (shitsurei) em relação a este.  Terei de formular a frase por forma a exprimir a humildade do meu presidente (círculo interior) face ao meu interlocutor (círculo exterior) ao mesmo tempo que exprimo uma dose apropriada de respeito em ralação ao meu presidente, menor que a que exprimo em relação ao meu interlocutor (círculo exterior).

 

Um bom exemplo é a forma como o verbo "dizer" é usado.  A forma kensongo (humilde) de "iu" ou "yuu" (dizer) é "mousu".  Assim se eu quiser dizer "Conforme disse o nosso director..." a frase "uchi no shachou ga yutta you ni..." seria bastante rude pois não usa nem teineigo (forma "-masu") nem kensongo (reflectindo humildade do sujeito do círiculo interior).  Se dissesse "uchi no shachou ga iimashita you ni" a frase torna-se polida pelo recurso ao teineigo mas sem qualquer forma de kensongo poderá ser, conforme as circunstâncias, pouco respeitosa.  Se usar então a forma kensongo "uchi no shachou ga moushimashita you ni..." a humildade face ao interlocutor está correcta mas poderá ofender o meu presidente que pus desta forma ao meu nível.  O problema é que, se para elevar o status do meu director face a mim recorrer a sonkeigo e disser "uchi no shachou ga osshaimashita you ni..." (ossharu é a forma de sonkeigo de "iu" ou "yuu") estarei a elevar o meu director a um nível tão elevado como o do meu interlocutor e portanto a ferir o seu status de círiculo exterior. A solução é usar "mousareru",  forma passiva homorífica do kensongo "mousu".  Mostro assim o maior respeito em relação ao círculo exterior com a utilização da forma kensongo "mousu"  ao mesmo que, com a escolha da forma passiva honorífica, exprimo uma dose adequada de respeito também em relação ao meu director .

 

Todos dizem qualquer coisa mas 

  • eu "moushimasu"
  • o meu director "mousaremasu"
  • o meu interlocutor "osshaimasu"

Tudo para 天下が乱れない様に (tenka ga midarenai you ni).....    não perturbar a boa ordem das coisas.

 

Um leitor menos avisado poderá pensar; "Não, este gajo está a exagerar.  Isto na gramática é assim mas na práctica já não se usa nos dia de hoje." A incredulidade é natural mas asseguro que trabalhei algum tempo na área da diplomacia e não foram poucas as vezes em que tive de recorrer a este género de construçõe,s quando por exemplo falava com um Presidente de Cãmara sobre o nosso Embaixador.

 

Só para compor o ramalhete, deixem-me acrescentar que um verbo na sua forma sonkeigo ou kensongo pode estar também ou não na sua forma "-masu" (teineigo).  Por exemplo a forma sonkeigo de "yomu" (ler) será "o'yomi ni naru" e dizer para dizer "O professor lê o jornal todos os dias." em sonkeigo podemos dizer  "Sensei wa mainichi shinbun wo o'yomi ni naru."ou  "Sensei wa mainichi shinbun wo o'yomi ni narimasu.", juntando  nesta última frase a forma de teineigo "-masu" ao sonkeigo "o'yomi ni naru".  No primeiro a forma sonkeigo demonstra respeito pelo professor mas não pelo interlocutor.  Na segunda forma, a frase demonstra além do respeito pelo professor também cortesia para com o interlocutor.  Dois alunos, amigos um do outro, escolheriam a primeira forma se quisessem demonstrar respeito pelo professor (quando uma terceira pessoa próxima do professor está presente, por exemplo) mas dado o seu relacionamento próximo não usarian a forma teineigo "-masu".

 

De notar que na grande maioria dos casos um jovem que acabou de sair da universidade não se sabe exprimir correctamente em linguagem honorífica keigo de uso absolutamente obrigatório quando nos dirigimos a uma audiência.  Um jovem empregado da empresa onde eu estagiava baralhou-se de tal maneira que chegou a levantar coros de gargalhadas.  O pobre ficou cada vez mais confuso até que um "senpai" (colega mais velho) foi em seu socorro, mas não antes de ele já estar vermelhinho que nem um tomate maduro :-)

 

 

publicado por Jaime Lebre às 01:15

19
Jan 10

 O conceito de linguagem honorífica tende a fazer um pouco de confusão a nós Europeus que nos orgulhamos da nossa tradição de "Liberté, égalité, fraternité".  De algum modo custa-nos aceitar que vamos ter de nos dirigir a alguém usando uma linguagem que implica que o olhamos como nosso superior.  Esta reacção à linguagem honorífica leva a que muitos estrangeiros que estudam e falam Japonês nunca a dominem e tenham relutância em usá-la.  

 

A ideia que quando usamos uma forma honorífica estamos a tratar alguém como nosso superior é algo errada.  As formas honoríficas não definem superior versus inferior mas sim respeito ou humildade do círculo interior em relação ao círculo exterior.  Se por exemplo estiver a falar com um amigo sobre um meu irmão, o meu irmão pertence ao meu círculo interior (minha família) e o meu amigo ao círculo exterior.  Se mais tarde estiver a falar sobre este mesmo amigo a um colega de trabalho, o meu amigo pertencerá agora ao meu círculo interior ou exterior conforme de qual deles eu me quiser aproximar. A regra da linguagem honorífica é que referimo-nos com respeito quando falamos sobre o círculo exterior e com humildade quando falamos sobre o círculo interior.

 

Mas vejamos com mais detalhe. em Japonês há três estilos diferentes de linguagem honorífica (keigo):

  • Teineigo - que demonstra cortesia ou respeito pela pessoa a quem nos dirigimos;
  • Sonkeigo - que demonstra respeito pelo sujeito da frase, normalmente quando este pertence ao círculo exterior;
  • Kensongo - que demonstra humildade a respeito do sujeito da frase, normalmente pertencente ao círculo interior.

O teineigo é o mais simples e caracteriza-se apenas pela utilização do verbo final da frase na sua forma "-masu".  Se a minha mulher não (quiser) beber cerveja e o o meu interlocutor lhe  oferecer esta bebida eu disser "Kanai ga biiru nomanai." utilizando a forma corrente do verbo beber "nomu" mostro uma certa proximidade em relação à pessoa a quem me dirijo, enquanto que se usar o verbo na forma "-masu" dizendo "Kanai ga biiru wo nomimasen." mostro cortesia e respeito pelo interlocutor. 

 

Se eu quiser frisar a distância que me separa do meu interlocutor utilizarei então kensongo, pois o sujeito da frase pertence ao meu círculo interior e direi "Kanai ga biiru wo itadakimasen." (Itadakemasen seria mais cortês) usando a forma humilde "itadaku" do verbo beber "nomu".  Esta distância existe socialmente quando nos dirigimos a um estranho o a uma pessoa de satus social elevado.  

 

Se a situação for inversa e eu perguntar ao meu interlocutor se a sua esposa bebe cerveja deverei utilizar sonkeigo pois o sujeito da frase pertence agora ao meu círculo exterior e direi "Okusama ga biiru wo o'nomi ni narimasu ka."  recorrendo à forma honorífica "o'nomi ni naru" do mesmo verbo beber "nomu".

 

A utilização hábil destas formas pode ser muito útil quando por exemplo não nos recordamos do nome do nosso interlocutor.  Se eu quiser perguntar a um conhecido cujo nome esqueci se bebe cerveja tenderei a dizer "Anata wa biiru wo nomimasu ka?" .  Ora a utilização do pronome pessoal "anata" (tu; você) implica uma certa proximidade que pode não existir e será então inapropriada e reveladora do embaraçoso esquecimento.  Não fora a salvação do keigo teria de optar pela utilização da forma extremamente honorífica do referido pronome pessoal "o'takusama" que seria normalmente exagerada e atraiçoaria na mesma o esquecimento.  Usando keigo perguntarei apenas "Biiru wo meshiagarimasu ka." omitindo o sujeito pois, sendo o verbo "meshiagaru" uma forma honorífica, o sujeito só pode pertencer ao círculo exterior e será forçosamente o meu interlocutor.

 

 Estava um dia em reunião com dois elementos de uma empresa japonesa quando a hora de almoço se aproximou.  Perguntou-me um deles se eu almoçava com eles:  "Lebre san wa gohan wo meshiagarimasu ka?" (algo como digna-se a honoravelmente a comer a sua honorável refeição). Quando respondi que sim, com todo o gosto voltou-se para o colega e disse: "ja, meshi kuou", algo como "Bem, vamos aos morfes".  O japonês pode ser desconcertante e as diferenças de tratamento abissais.  :-) 

 

Círculos, sempre círculos.... o interior e o exterior.

 

publicado por Jaime Lebre às 10:59

 

Quando o iniciado no estudo da língua japonesa olha para um texto escrito nesta língua, a tarefa de aprendizagem dos pelo menos 2000 Kanji de utilização corrente parece-lhe uma tarefa impossível e perguntar-se-á porque não escrevem os japoneses a sua língua apenas nos seus silabários Hiragana e Katakana ou, melhor ainda, porque não usam mesmo o nosso alfabeto. A língua japonesa é foneticamente simples e prestar-se-á, argumentam alguns, à escrita com o alfabeto romano. Por exemplo, a frase “eu também vou” escrever-se-á normalmente 私も行きますmas poderia ser escrita apenas no silabário japonês Hiragana わたしもいきます ou mesmo “Watashi mo ikimasu” usando o alfabeto romano.

 

Curiosamente, e a título de contraponto, notamos que toda a sinalização de trânsito recorre esmagadoramente a sinais e estamos a adoptar cada vez mais a utilização de símbolos na sinalização de locais públicos. Não nos surpreende nada ver sinais de “estacionamento proibido” ou “proibido fumar”. O símbolo é universal e de apreensão extremamente rápida. Se tivéssemos de ler cada sinal de trânsito para saber o que devemos ou não fazer o trânsito sofreria seguramente sérios embaraços e um letreiro dizendo “Proibido fumar” seria totalmente ininteligível para qualquer pessoa que não conheça a língua portuguesa.

 

O Kanji transmite universalmente e com rapidez uma ideia, um conceito, um significado. Por exemplo o Kanji de “eu” é formado por “grão de cereal” e que representa um bicho da seda que se enrola e fecha no seu casulo, por extensão “self”, privado, particular. Por oposição, público  é o que resulta da divisão do que é privado, onde representa um objecto dividido em duas metades.

 

O estudo da etimologia do Kanji facilita a sua memorização porque transforma um agregado de traços em algo rico em significado. Mas, muito mais do que isso, revela o pensamento que o concebeu. Por exemplo, o Kanji de “oriente” representa o sol visto entre as árvores quando nasce a oriente. Imaginemo-nos agora D. João II a criar um caracter que simbolizasse o conceito de “oriente”. Será que combinaria “terra” com “especiarias”? Talvez “terra” com “desejo” ou “objectivo” ou optaria ainda por combinar “água” com “caminho” e “destino”?

 

Cada um de nós, que símbolo conceberia para transmitir o significado de “oriente”?

 

O grande problema de um sistema de escrita por caracteres é que o número destes tem necessariamente de ser muito elevado. Os Kanji de utilização corrente são cerca de 2000 e um japonês com formação universitária estará familiarizado com 3000 a 5000. Os dicionários mais “volumosos” contam mesmo mais de 12000 entradas.

 

Mas, já vimos acima que alguns Kanji resultam da combinação de outros mais simples. De facto, os Kanji mais complexos resultam da combinação de 214 elementos classificativos de base designados radicais com 858 elementos fonéticos. Ademais, muitos destes radicais e fonéticos resultam da combinação de elementos mais simples pelo que o número de elementos de base que formam um Kanji é muito reduzido quando comparado com o seu universo.

 

Por exemplo, o radical 19 (força) e o radical 30 (boca) formam juntos o fonético 108 . Da ideia de juntar a força à persuasão nasce pois (adicionar, juntar, conferir, infligir) e este, em conjunto com radical 154 (dinheiro) forma (alegrar-se, celebrar).

 

A composição dos Kanji é extremamente engenhosa e merece um pouco a nossa atenção:

 

·         Alguns Kanji como por exemplo árvore ou montanha  representam uma imagem do objecto que representam e são por isso designados pictogramas.

 

·         Outros, ideogramas, representam uma ideia ou um conceito. Os Kanji de “acima” (subir, sobre, etc.) e “abaixo” (descer, sob, etc.) representam algo () acima e abaixo de uma linha de base .

 

·         Mas já vimos em exemplos anteriores que por vezes o significado do Kanji resulta da combinação dos significados dos elementos que o constituem. Estes Kanji chamam-se agregados lógicos sendo “direita” e “esquerda” exemplos interessantes. O conceito de “direita” é representado por uma mão que leva a comida à boca, enquanto “esquerda” é representado por uma mão  que segura o esquadro de carpinteiro.

 

·         Numa quarta categoria contam-se os complexos fonéticos, formados por dois (ou mais) caracteres simples em que um confere o significado ao Kanji e o outro confere não um significado mas sim um som. Por exemplo 付 significa dar, afixar, anexar e lê-se “FU”. É o elemento fonético de todos os Kanji “governo”, “sinal”, “exalar”, “cobertura”, “palmada”, “agarrar”, lendo-se todos eles também “FU” tal como o seu elemento fonético . Em alguns casos o elemento fonético poderá contribuir também para o significado do Kanji resultante mas não é de modo nenhum a regra.

 

Em termos não de composição dos Kanji mas sim da sua utilização, temos de considerar ainda os caracteres cujo significado foi alargado e aqueles cujo significado foi alterado por erro ou convenção. Por exemplo o significado original do Kanji , representando as duas metades de um objecto, era “divisão”. No entanto para escrever “divisão” usa-se correntemente o Kanji (juntando sabre ao Kanji original de divisão) e o Kanji  passou a significar “oito” pois é divisível em duas partes (sendo o quatro uma espécie de unidade).

 

O Kanji é culturalmente de uma grande riqueza. Se estudar japonês pode ser aprender o a ver o mundo de um outro ângulo, o estudo da etimologia do Kanji é espreitar a alma humana. Vejamos alguns exemplos que nos revelam algo sobre a condição da mulher.

 

A mulher aparece intimamente ligada à família e ao lar. Apelido, nome de família, linha de sangue é representado por mulher  e nascer . A gravidez é a carga  da mulher   que como mãe  (pictograma de mulher salientando os seios) amamenta os filhos. Como esposa ( ou )a mulher aparece intimamente ligada às lides domésticas representadas por uma vassoura  enquanto que o homem   exerce a sua força  no trabalho dos campos . O lugar da mulher é definitivamente no lar. “Paz de espírito”  é representado por uma mulher  debaixo de tecto , e “tranquilidade”  por uma mulher firmemente segura pela mão .

 

Combinando mulher e criança (em caracteres mais antigos a mulher segurando a criança nos seus braços) obtemos que significa bom, desejável, belo, de que se gosta.

 

 O Kanji significa falar como uma mulher , com habilidade feminina em conformidade com as circunstâncias e a disposição do homem que deseja cativar. Por extensão, este Kanji passou a significar “(ser) (tal) como”. Por exemplo, o provérbio japonês equivalente a “tempus fugit” diz: O tempo “é como” uma seta.

 

Mas se a propriedade do discurso feminino é apreciada, a sua sinceridade é aparentemente posta em dúvida: representa a virtude que liga duas pessoas , o amor pelo próximo, a benevolência que ligam um homem ao seu vizinho.  Se adicionarmos mulher a este Kanji obtemos que significa lisonja, insinceridade. 

 

Lá como cá...  as qualidades da mulher são aparentemente pouco apreciadas :-)

 

publicado por Jaime Lebre às 01:27

18
Jan 10

 A língua japonesa é fortemente circunstancial.  Água diz-se normalmente "mizu" mas água quente será "o'yuu" (ah aqueles banhos de água tão quentinha) , água fresca de beber será "o'hiya" e num restaurante de comida ocidental podemos pedir "uootaa" o que só os mais avisados conseguirão entender como "water" :-)

 

A escolha do pronome pessoal pelo orador revela de imediato como ele se vê a ele próprio bem como a sua relação com o(s) ouvinte(s).  Por exemplo o pronome pessoal "eu" pode dizer-se em japonês:

  • watakushi
  • watashi
  • atakushi
  • atashi
  • washi
  • boku
  • ore

e se calhar ainda me escaparam alguns :-)

 

"Watakushi" é extremamente formal e pode ser usado tanto por mulheres como homens.  A sua escolha reflecte grande formalidade e respeito pelo ouvinte.  Ainda algo formal mas muito mais corrente temos "watashi" que também pode ser usado tanto por homens como mulheres.  

 

As mulheres, com o seu linguajar mais suave, podem optar por "atashi" o que reflecte logo um certo grau de amizade e proximidade com o ouvinte, embora não necessariamente intimidade. A escolha de "atakushi" é um verdadeiro malabarismo linguístico pois reflecte respeito na escolha da forma longa mas ao mesmo tempo uma certa proximidade que nasce da simplificação da primeira sílaba.  

 

Mas o uso de "washi" é que me surpreendeu muito a primeira vez que o ouvi. "Washi wakaran" dizia o meu chefe.  Foi uma situação bastante irónica pois eu não entendi que ele estava a dizer  "não entendo".  "Watashi ga wakarimasen" ou "watashi ga wakaranai" serão as formas "standard" de "washi wakaran" e eu não percebi o que o meu chefe queria dizer.  Curiosamente ele estava não só a dizer que não entendia como também, talvez, a chamar-me burro :-) pois a escolha de "washi" equivale a algo como puxar dos galões, dizer algo como "este eu, homem de idade e respeito" com um cheirinho de "acima dos da tua laia".  "Washi" é usado exclusivamente por homens já de uma idade respeitável.  Nunca ouvi este pronome na boca de ninguém com menos de 45 anos.

 

"Boku é o que mais correntemente se ouve na conversa entre amigos.  Tem uma certa conotação de "mimo" pois é o "eu" das crianças masculinas.  Quando nos dirigimos a rapazes na idade em que começam a falar dizemos "como está o boku-chan" como quem diz "e como vai o eu". É usado exclusivamente por homens, mas curiosamente a minha filha mais velha usava-o com frequência sendo sempre corrigida pela mãe :-)

 

"Ore" é o "eu" dos machões.  Entre amigos podemos optar por "boku" quando queremos ser mais congeniais ou "ore" quando queremos vincar a nossa posição. Em ambiente formal ou com estranhos o uso deste pronome é seguramente pouco educado e pode ser tomado como um insulto.  De uso estritamente vedado às mulheres.

 

Posto isto, eu fico-me hoje por aqui.  E felizmente o nosso sortido de "eus" permite-me não ter de pensar qual deles escolher :-)

 

 

 

 

publicado por Jaime Lebre às 15:29

 A minha paixão pela língua japonesa nasceu no princípio da década de 80.  Por mero acaso, ao ler um livro ao qual não atribuo grande valor afora ter-me despertado a apetência por esta língua maravilhosa.  

 

Não encontrei na altura quem ensinasse japonês pelo que não tive outro remédio senão estudar por mim.  Levei 4 anos a conseguir trocar algumas palavras com um japonês.  Lembro-me que esta primeira experiência de uso desta língua me deixou exausto e com uma fortíssima dor de cabeça :-) Outros tempos.

 

Acabei por criar laços com a comunidade japonesa em Portugal pelo que os meus anos de estudo deram finalmente os seus frutos.  Dois anos passados fui para o Japão onde durante 18 meses não fiz mais nada senão estudar a língua.  Por lá fiquei ainda uns largos anos durante os quais a língua japonesa era a que usava em casa, no escritório e na rua :-)  Falar português era uma experiência ocasional que chegou mesmo por vezes a ser rara.

 

Estudei muito o japonês primeiro por livros escritos em inglês e mais tarde, quando os meus conhecimentos dos caracteres japoneses mo permitiram, comecei a usar gramáticas e outros livros escritos em japonês.  Sempre me ficou a impressão que o ensino da língua japonesa a estrangeiros, pelo menos a ocidentais, peca por tentar encaixar esta língua nos moldes das línguas ocidentais.  As conjugações verbais são um exemplo flagrante disso: as gramáticas escritas em língua japonesa vão pela esquerda e e as escritas em línguas ocidentais vão pela direita. Ou inversamente :-)

 

A título de exemplo, gostaria de citar o caso do "passado" dos verbos japoneses. A grande maioria das gramáticas de língua japonesa escritas para estrangeiros classifica a forma "-ta" do verbo (por exemplo taberu (comer) -> tabeta) como sendo a sua forma de passado. Eu, como possivelmente muitos milhares milhares de estudantes de japonês aceitei esta explicação pelo seu valor facial.

 

Ora, quando lá pelas duas ou três da manhã de uma bela noite eu e um amigo que nos meus tempos de estudante de japonês ficava frequentemente em minha casa nos estávamos a preparar para dormir caíram-me os olhos numa frase que dizia, traduzindo literalmente: 

  • "Quando uma pessoa ficou desempregada não consegue governar a sua vida."

Ora, como é possível usar a forma passado do verbo quando o ficar desempregado está colocada num futuro hipotético?  A frase japonesa significa na verdade "Quando um uma pessoa fica desempregada não consegue governar a sua vida." mas usando a forma dita de passado de "ficar desempregado".  Como é tal possível?  Lembrei-me de procurar nas minhas gramáticas de japonês escritas em japonês para alunos japoneses da escola primária e lá vinha muito claro. A forma "-ta" é um passado ou um "completo" (kanryoukei, em japonês) do verbo.

 

Se pensarmos um pouco damo-nos conta que a maior parte das acções ou mudanças de estado que atingiram o seu termo ocorreram no passado pelo que o "completo" de um verbo tende a ocorrer no passado.  Mas não esquecer; É um "completo", não um passado, e quando nos apercebemos disto entendemos melhor muitas outras coisas que estavam até então confusas na nossa mente.

 

Quando cheguei a esta conclusão o meu amigo estava já a pegar no sono mas, agitado pela descoberta, não resisti a abaná-lo e dizer-lhe que o "passado" não era afinal um passado e que aparecia por vezes até no futuro.  Já meio a dormir ele não aguentou tamanho choque e proibiu-me de lhe voltar a falar sobre japonês :-)) Esperemos que não seja um prenúncio a este blog :-)

 

Bem, poderíamos talvez ficar por aqui mas... o futuro também não é na verdade um futuro mas sim um "probabilístico".  Mas isso ficará para depois.  

 

Quando estudamos japonês temos de pensar, pensar o japonês como chamo a este blog. E quanto melhor entendemos esta língua melhor nos apercebemos que é na verdade extremamente simples, como uma construção Lego que, por muito complicada que aparente ser, é constituída por meia dúzia de tipos diferentes de blocos, qual deles o mais simples.  Na verdade, só quando as minhas filhas começaram a aprender a falar me apercebi quão simples o japonês é.

 

 

Noto que o interesse pela língua japonesa tem vindo a aumentar.  Vou experimentar ir pondo aqui pouco a pouco, de vez em quando :-) algumas reflexões sobre a língua japonesa.

 

E veremos....   :-) 

publicado por Jaime Lebre às 14:11

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