Algumas notas sobre as peculiariedades da língua japonesa. Penso muitas vezes que aprender japonês me levou a ver o mundo com outros olhos. Quero partilhar aqui um pouco da minha experiência com o meu amado nihongo.

28
Jan 10

Imaginem uma festa onde chamamos, por exemplo, pelo João.  Se estiverem vários "Joãos" na sala é natural que alguns deles tenham dúvidas se foram ou não chamados e façam aquela interrogativa muda apontando para o seu peito como quem pergunta: "Eu?".  

 

Em idênticas circunstâncias um japonês apontará para o seu próprio nariz (por vezes tocam mesmo com o indicador na ponta do nariz) e não para o seu peito, o que não pude deixar  de achar estranhíssimo das primeiras vezes que testemunhei tal linguagem gestual.

 

Um belo dia, ao estudar a etimologia do carcater

 

(JI, SHI, mizukara)

 

que siginifica "si próprio [mesmo]; self" fez-se luz. Escrevia o autor que este caracter representa o nariz, a parte mais protuberante e talvez característica do rosto que assim representa o indivíduo.  Para entender como este caracter representa um nariz é necessário ver as suas formas mais antigas que infelizmente não encontro nas fontes correntes.


De qualquer modo, entendi então finalmente porque é que, em linguagem corporal,  um japonês aponta para o seu nariz quando se refere a si próprio.  Está a apontar para a parte da sua anatomia que representa a sua pessoa.


O nariz volumoso e protuberante do caucasiano é extremamente apreciada pelos japoneses que tecem rasgados elogios dizendo "hana ga takai" (o nariz é protuberante).  Infelizmente os alvos destas manifestações de apreço frequentemente não as apreciam pois ora sentem que lhes estão achamar "narigudos" ou, ainda pior, orgulhosos pois confundem o elogio com a expressão homófona "hana ga takai" (lit. nariz alto) que significa "nariz empinado; orgulhoso; ufano".


Enfim, uma confusão de narizes :-)


publicado por Jaime Lebre às 00:34

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